Povos Originários e Comunidades Tradicionais:
trabalhos de pesquisa e de extensão universitária

Volume 7  •  Organizadores:

Ana D’Arc Martins de Azevedo

Angélica Góis Morales

Ana Maria Barbosa Quiqueto

Jardilene Gualberto Pereira Fôlha

Nº de pág.: 268

ISBN: 978-65-5917-360-0

DOI: 10.22350/9786559173600

Volume 8  •  Organizadores:

Leila Adriana Baptaglin
Vilso Junior Chierentin Santi
Gilson Porto Jr.
Renato Dias Baptista

Nº de pág.: 332

ISBN: 978-65-5917-361-7

DOI: 10.22350/9786559173617

Volume 9  •  Organizadores:

Carlos Alberto Sarmento do Nascimento
Alexandre de Castro Campos
Fernando da Cruz Souza
Ariadne Dall’Acqua Ayres

Nº de pág.: 329

ISBN: 978-65-5917-362-4

DOI: 10.22350/9786559173624

Volume 10  •  Organizadores:

Nelson Russo de Moraes
Alceu Zoia
Laurenita Gualberto Pereira Alves
Norma da Silva Rocha Maciel

Nº de pág.: 322

ISBN: 978-65-5917-363-1

DOI: 10.22350/9786559173631

Volume 7  •  Sinopse

O processo de expropriação/expulsão desses sujeitos de seus territórios, iniciado no século XVI, continua latente no século XXI. Em 2021, o cenário de vulnerabilidade biológica e sociocultural é preocupante e mostra que a questão agrária sempre foi e ainda é o cerne dos conflitos dessa natureza no Brasil. Para o explorador, é fundamental soterrar saberes e culturas, forçando a desterritorialização desses povos para alargar o projeto de morte evidente nas atividades do agronegócio e hidronegócio, biopirataria, mineração, tráfego ilegal de madeira, pecuária extensiva, turismo, construção de estradas e rodovias, entre outras, dentro de terras tradicionais e ancestrais de povos e comunidades. Nesse contexto, esses sujeitos, ficam à mercê de invasões, expropriações, ameaças e violências iminentes em seus territórios. Invasões ilegais, muitas vezes consentida pelo Estado, pois o mesmo que deveria garantir a proteção dessas vidas e territórios é o mesmo que assina a liberação e execução de megaprojetos em suas terras. Isso evidencia que Estado sabe da gravidade do problema e é conivente com tudo isso, sobretudo, na atual gestão. Desse modo, compreende-se que o caminho é árduo, requer luta e estratégias de enfrentamentos para a desconstrução dos padrões destrutivos que foram criados pelo sistema-mundo-capitalista-colonial. Vale ressaltar que as terras dos povos e comunidades são importantes áreas ricas em biodiversidades, confirmando-se que o prejuízo não é apenas para eles, mas para toda a sociedade. São sobre esses e outros temas que o livro organizado pela Rede Internacional de Pesquisadores sobre Povos Originários e Comunidades Tradicionais (RedeCT), intitulado: Povos Originários e Comunidades Tradicionais: trabalhos de pesquisa e de extensão universitária, fala. Os textos que compõem o volume 07, ora denunciam problemas territoriais vivenciados por esses sujeitos, ora mostram as resistências e estratégias de permanência, fortalecimento identitário, sociocultural e linguístico, perpassando por temas como: Educação Escolar Indígena e Quilombola; Etnomatemática; Saber-Fazer; Educação ambiental; Bem Viver; Decolonialidade; entre outros.

Lorranne Gomes da Silva

 

Volume 8  •  Sinopse

A percepção sobre as experiências que se dão à nossa volta é sempre mutável e relativa e, frequentemente, traduz chamados à descoberta de universos desconhecidos que provocam algum incômodo – na acepção da palavra –, que nos retiram de um lugar cômodo, estático, estacionário. Habitando a Amazônia há apenas dois anos, tenho percebido as ininterruptas dissoluções, reconstruções e transformações porque têm passado minhas percepções sobre o mundo e sobre o Outro no cotidiano da vida em meio à floresta. São cosmologias, antes desconhecidas em sua essência, que, agora próximas, têm desmontado estruturas intelectuais previamente estabelecidas e reconfigurado minha experiência existencial de ser e habitar as materialidades e virtualidades compartilhadas. São mutações inevitáveis e sempre bem-vindas. Cosmovisões de populações originárias e tradicionais que tensionam nossos esforços cognitivos no sentido de acessar a compreensão de diferentes visões, imaginários, sentidos, lugares e práticas. Ao mesmo tempo, as diferentes formas de conceber a vida e seus fenômenos nos constrangem a refletir sobre as práticas sociais e os espaços de disputa, resistência e poder nos estágios contemporâneos da história humana. Entretanto, preciso, inicialmente, externar minha surpresa e gratidão pelo convite para prefaciar este volume, dada a relevância das investigações e seus resultados para o cenário científico nacional, uma contribuição expressiva e urgente. A riqueza de métodos, dados e informações sobre temáticas sensíveis e atentas a grupos populacionais como etnias indígenas, coletivos de mulheres, comunidades quilombolas, agrícolas e ribeirinhas são um convite irrecusável a um caminho sem volta de acesso à consciência e à lucidez sobre as realidades brasileiras em conjunturas histórico-sociais, artísticas e culturais diversas, em cenários das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país. 

Marcelo Rodrigo da Silva

 

Volume 9  •  Sinopse

Este nono volume da coleção é um bom exemplo para refletir sobre possíveis configurações de grupos de trabalho com capacidade de interpretação sistémica. Por exemplo, nestas páginas: os três artigos que tratam de quilombos apresentam tipos de ameaças relacionadas a categorias de agentes/interlocutores particulares: Unidades de Conservação em Minas Gerais, Áreas militares na restinga da Marambaia em Itaguaí, RJ e, Empreendimentos econômicos, na bacia do rio Bracuí, em Angra dos Reis, RJ. Da mesma maneira, o processo Cultura-Organização-Educação é relacionado com diversos desenhos de território: aldeias após a construção da barragem de Belomonte, na bacia do Tapajós, PA, ribeira dos quelônios na FLONA Caxiuanã, PA, extrativismo animal na Amazônia dos anos 1930 a 60, migrações de carroceiros em Belo Horizonte, MG. Em todos os casos e possível recorrer a imagens para alcançar uma visão compartilhada e o diálogo, mesmo em situações de antagonismo, como descrito nos artigos sobre as imagens de “quintais agroflorestais/domésticos de duas comunidades tradicionais de Faxinais da região Centro Sul do Estado do Paraná” e, a cartografia social do dano sofrido pelos Pataxós em Brumadinho, MG. Estas formas de imagens (mapa e gráficos) permitem organizar uma visão compartilhada e acessível independentemente de educação formal, elegível para requerer direitos dos povos originários e comunidades tradicionais. Finalmente, neste pensar com a cabeça dos outros, buscando elaborar cenários futuros sobre a dádiva na economia solidária (ES) a partir da abordagem relacional dos artigos deste 9º volume, incorporando o artigo do PEPEDT  sobre “Rede entre Comunidades Tradicionais e Entidades de Extensões na Baia da Ilha Grande/RJ”, publicado no 6º volume, utilizaria a matriz elaborada por Airton Cançado  no seu artigo sobre Gestão social e Economia solidária quando apresenta a ES como um movimento reunindo três categorias de atores: Empreendimentos solidários, Assessorias e Gestores públicos. Neste artigo Airton não esclarece se vê nesta matriz as atividades da Extensão em Gestão social que ele define como uma “maneira [participativa] de gerir um processo de tomada de decisão” como um candidato natural para promover o processo de governança do movimento!

 Patrick Maurice Maury

 

Volume 10  •  Sinopse

A existência de diferentes perspectivas e formas de conceber e viver o mundo é uma possibilidade potente de fazer frente aos incessantes ataques contra os povos tradicionais. Neste nosso tempo, por exemplo, a generalização é o imperativo de controle mais eficiente porque padroniza e exclui todas as formas de vida que não se sujeitem aos desígnios da lógica voraz do mercado. Por isso, entre os compromissos humanos da universidade devem estar a defesa das mais variadas formas e modos de vida presentes nas comunidades tradicionais. A diversidade é talvez a única forma de lutar contra a padronização deliberada pelos inúmeros procedimentos racionais da tecnologia de automação, do mercado e da sociedade de consumo. Essa defesa, como mostra o presente Volume, pode ser feita, por exemplo, garantindo a voz aos mais diferentes povos e culturas. Garantir a voz embora pareça ser uma ação simples, exige mudanças estruturais profundas porque traz a força de fazer valer, no âmbito do cenário público, a perspectiva que dá sentido e significado à vida de pessoas, quase sempre à margem do cenário político. Há um sentido muito profundo quando um trabalho de pesquisa, de extensão ou de vivência é feito em Comunidades Quilombolas, Indígenas ou de Ribeirinhas porque dentre as muitas possibilidades inerentes ao trabalho em si, há também a beleza da colocação dessas culturas no centro do debate público.  A garantia de direitos é, portanto, uma tarefa que precisa ser feita com múltiplas estratégias, e uma delas, talvez mais simbólica, é a defesa do protagonismo das populações tradicionais. Quanto mais os Povos Tradicionais puderem falar, com as mais variadas formas de uso da língua e com diferentes línguas, tanto mais defenderemos, no conjunto, que a sociedade possa suportar a voracidade desumana da lógica de mercado. Por isso, quando falamos de uma Comunidade Tradicional no Maranhão, como temos aqui neste Volume, estamos garantindo o direito de uma existência que, em si mesma, acontece em outros termos e com outras perspectivas de valor. Tanto mais no reconheçamos como diversos ao tempo que dentro da nossa diversidade compartilhamos o mesmo mundo, mais será possível aprendermos em conjunto na mesma medida, dando à vida um sentido mais horizontal e baseado na reciprocidade.

Adriano Batista Castorino