
Sócrates e a ordem da pólis: os desafios da filosofia
Dagmar Manieri
Há em torno da figura de Sócrates várias camadas interpretativas. Isto também ocorre com vários autores de relevância, mas no exemplo de Sócrates há algumas particularidades. Primeiro, por sua filosofia ter representado uma espécie de “virada” do pensamento racional antigo, algo que explica que a partir deste instante possa surgir algumas novas correntes da filosofia, como o platonismo ou o cinismo, por exemplo. Em segundo lugar porque seu pensamento até hoje merece atenção, não como um ponto da história da filosofia, mas como lógica válida. Esta última importância foi destacada por Peter Kreeft em sua Lógica socrática. Outro aspecto que se deve destacar é a relação de Sócrates com Atenas. Embora ausente dos debates políticos, Sócrates conquistou muitos discípulos que se envolveram com a ordem política. Isto não deixou de lhe trazer embaraços, na medida em que sua filosofia provocou efeitos na área política. Por isso ao tomarmos os três grandes filósofos que viveram em Atenas – Sócrates, Platão e Aristóteles – não estaríamos próximos de um novo campo do saber? Nasce a filosofia política com seu perfil (modelo) próprio; neste campo há um ideal de ser político que é diverso em relação ao que propõe a pólis. É desta forma que a figura de Sócrates tem sua importância, justificando-se uma revisão de sua pessoa como pensador, assim como de suas relações com a comunidade política.





