
Entre a mudança e a fuga: reificação e desreificação em Vidas secas, de Graciliano Ramos
Caio Raphael Passamini Simões Silva
Em Vidas Secas, romance de Graciliano Ramos, uma família de retirantes nordestinos vive as consequências da miséria, da exploração laboral e da seca num processo que os abandona à condição de coisas. Em sua obra, Caio Passamani defende que enquanto a reificação (coisificação) desumaniza a vida desses sertanejos por invisibilizar o trabalho humano, o romance desreifica-os, porque visibiliza o trabalho e recupera a humanidade das personagens. De um lado, a objetividade ilusória mercantil oculta o trabalho humano e a exploração presente nas relações de produção material, condenando o trabalhador miserável à condição de coisa, o que é tipificado nos integrantes da família de Fabiano; de outro lado, o próprio romance, ao trazer centralidade à trama vivida pelos matutos, desvela as relações aviltantes entre trabalhadores ocultadas pela mercadoria e enfrenta a naturalização do status quo no modo de produção burguês – restitui voz a seres historicamente marginalizados e neutralizados, em recuperação das verdadeiras forças motrizes da História. Assim, este estudo investiga a estética do autor em face à realidade socioeconômica brasileira coeva, além de analisar individualmente os dilemas reificantes vividos por cada personagem. Apoiam teoricamente esta pesquisa Karl Marx e György Lukács, que o sucedeu nas reflexões sobre a reificação.





