
As letras, as águas e as florestas: a prática da retórica e da poética no Grão-Pará setecentista
Thiago Gonçalves Souza Alencar
Neste estudo, apresentamos um panorama da produção letrada realizada no espaço do Grão-Pará setecentista, onde a retórica e a poética, navegando por entre os rios e percorrendo as densas florestas do sertão amazônico, forneceram o arcabouço de lugares-comuns para a representação do espaço e da sociedade da Amazônia colonial. Documentos administrativos, cartas, poemas e discursos constituíram um amplo e complexo sistema letrado, orientado ativamente para a reconfiguração do poder da Coroa na porção norte da América portuguesa na porção norte da América portuguesa. Buscava-se, sobretudo, reapresentar o soberano e seus representantes (governadores, funcionários) como fonte única e legítima do poder a ser exercido na região, na esteira do qual se conquistariam o bem-estar econômico e social, minado pela ação “perniciosa” das ordens religiosas – em especial, dos clérigos da Companhia de Jesus, “tiranos” que usurparam o poder e o exerceram em benefício próprio, desestruturando o corpo social, trazendo injustiça e atraso para a colônia. Serão fundamentais para a lógica discursiva de então a ideia de progresso e equilíbrio aventada pelo Despotismo Esclarecido e o sentimento heroico de inspiração épica, como elemento qualificador da ação soberana, a ser exercida na conjugação do heroísmo, da racionalidade, da justiça e da benevolência.











