Hegel liberal: por que não?

Páginas

178

ISBN 

978-65-5917-520-8

DOI 

10.22350/9786559175208

Hegel liberal: por que não?

João Gilberto Engelmann

O texto que desenvolvemos visa identificar a via mais indicada para atualizar a teoria social hegeliana. Tal busca recorre ao desenvolvimento do conceito de liberalismo em Hegel e da compreensão do status da liberdade individual na Eticidade. O trabalho desenvolve, inicialmente, o conceito de liberalismo em Hegel, face à ausência de uma delimitação aceitável desta noção. O delineamento deste conceito fez surgir a demonstração de que Hegel não pode ser considerado liberal apenas porque trabalha conceitos liberais, o que faz frente a problemas gerados por uma interpretação unilateral da obra hegeliana. O trabalho enfrenta, portanto, o problema da ausência de efetiva busca por aquilo que Hegel escreveu sobre o liberalismo e pelas consequências de tal omissão. O trabalho irá explicitar que a liberdade individual, para Hegel, não possui condições de se firmar como razão de ser da normatividade imponível a todos. Tanto do ponto de vista lógico, em que se radica o conceito de liberdade, quanto do ponto de vista dos desdobramentos práticos da vontade livre, os institutos histórico-culturais desenvolvidos por Hegel encontram-se na base do comunitarismo contemporâneo e permanecem aptos a subsidiar à nossa democracia plural elementos de estabilidade e desenvolvimento da liberdade o que, portanto, põe em evidência respostas comunitaristas, de matriz hegeliana, a estes desafios. O liberalismo é superado pela teoria social hegeliana, importante lastro teórico do comunitarismo, e a liberdade individual ganha concretude na liberdade da eticidade, em que se alia a mediações institucionais. Ao longo de todo o texto, há a demonstração de que a leitura de nosso sistema político pelo viés da teoria social hegeliana, e pelo comunitarismo que ela alimenta, revela uma via producente de lidar com os problemas mais candentes de nossas teorias da justiça, inclusive se mantivermos os elementos democráticos e o pluralismo. Por outro lado, revela a base hegeliana do comunitarismo e os desafios que este assume e, inclusive, como diverge desta origem em Hegel. O texto parte de um conceito de liberalismo em Hegel para evidenciar as deficiências desta noção trazidas pelo próprio Hegel, sedimentando, por fim, a lógica e consequente superação do liberalismo na consolidação da teoria social, fundamental base do comunitarismo, que é uma resposta mais concreta aos problemas contextuais de Hegel e, também, aos nossos.

Hegel liberal: por que não?