História do departamento de filosofia da UFPR
Maria Isabel Limongi
Como citar este verbete:
LIMOGI, Maria Isabel, “História do departamento de filosofia da UFPR” (última versão de maio de 2026), Enciclopédia da Filosofia Brasileira, editada pelo Grupo de Trabalho em Pensamento Filosófico Brasileiro. Disponível em https://www.editorafi.org/enciclopedia-da-filosofia-brasileira - DOI: https://dx.doi.org/10.22350/2023efb
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A história do departamento de filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) pode ser dividida em três momentos. O primeiro vai de 1938, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), à 1963, quando dela se desmembra o Departa-mento filosofia da UFPR. O segundo momento vai de 1963 a 1990, quando dois projetos de departamento estiveram em disputa: um em que caberia à filoso-fia exercer um papel diretivo da sociedade, outro um papel crítico dos saberes e discursos. Este período corres-ponde à ascensão e queda do regime cívico-militar instaurado em 1964. O terceiro período vai do início da década de 90, com a vitória do projeto crítico, até os dias de hoje (2026). Foi quando docentes e pesquisadores vindos do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul somaram-se aos paranaenses na construção do programa de pós-gradua-ção em filosofia na UFPR.
I
O departamento de filosofia da UFPR se formou a partir do cruzamento de duas instituições: a Universidade do Paraná (UP), fundada em 1912, e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), fundada em 1938 e incorporada à UP em 1946.
O grupo responsável pela criação da Universidade do Paraná foi coordenado por Nilo Cairo e Victor Ferreira do Amaral. Seu projeto foi antecedido pelo de Rocha Pombo, proposto em 1892, que não chegou a ser colocado em prática. Contrariamente ao projeto de Rocha Pombo, o da Universidade do Paraná não previu faculdades de letras, filosofia e de formação de professores. Para o grupo que a fundou, a Universidade deveria contemplar a formação técnico-profis-sional, com ênfase no ensino e aplicação da ciência, não na pesquisa. Sendo a missão da ciência garantir o progresso do Estado, o conhecimento científico deve-ria se preocupar com os problemas prá-ticos do progresso material e moral da humanidade (Campos, 2008, 2.3).
Segundo Wachowicz (1983), a Universidade do Paraná representou uma experiência pioneira no país, baseada nos princípios da liberdade de ensino, que serviu de suporte ideológico para a fundação das Universidades de São Paulo (1911), do Paraná (1912) e de Manaus (1913). Estas Universidades foram criadas no contexto da reforma Rivadávia Corrêa, que estimulou a...



