Linguagem, conhecimento e hermenêutica filosófico-teológica em Santo Agostinho

Antonio Patativa de Sales

Na tese, fazemos uma análise das questões do conhecimento e da linguagem, intrinsecamente ligadas e em função da hermenêutica de Santo Agostinho. No De magistro, De doctrina christiana e De dialectica, particularmente, ele entende que a linguagem é o principal veículo (convencional) de comunicação humano. Assim, empenha-se em entender (e expor) os modos como usamos a linguagem para a transmissão de significados – os pensamentos e intenções (cognitiones et voluntates) daquele que fala –, partindo das práticas e convenções linguísticas, subordinando a semântica à pragmática. Sua tarefa, portanto, é auferir valor à exposição da doctrina christiana (hermenêutica sagrada), mais que fundamentar simplesmente e sistematicamente um método, um modelo de interpretação (hermenêutica filosófica). Nessa intenção, o estudo da gramática ou de sentenças significativas (teoria dos signos) torna-se útil porque, além de supor uma ordem ôntico-ontológica (metalinguagem), supõe uma lógica interna da/na palavra no/do discurso que, bem conduzido-arranjado, ascende do complexo ao simples, da figuração à Forma inteligível (ιδέα), do homem a Deus. Essas noções, porém, não são próprias do/no Hiponense, mas herdadas da Bíblia e da tradição filosófica (platônicos, aristotélicos, estoicos e neoplatônicos). A novidade, em Agostinho, é fazer da linguagem, enquanto questão propositiva, um instrumento auxiliar para o conhecimento, que deve ser usado em favor da fé, da doctrina christiana (vera religio, vera philosophia) – e ele faz isso a partir de um ponto de vista na primeira pessoa, que culmina em uma hermenêutica proto-existencialista, a “primeira hermenêutica em estilo grandioso”, na expressão de Heidegger.

 

Antonio Patativa de Sales tem mestrado em filosofia (UFPB) e doutorado em Teologia, na área de Teologia e História (EST/IEPG). É doutor em Filosofia, na área de Metafísica (UFPB). É autor de Contra o insensato: a religião como fenômeno filosófico e sociológico (Veritas, 1999), No fim das contas ninguém sai vivo (“Bons Costumes” / Jovens Escribas, 2015), entre outros; tem artigos publicados em revistas acadêmicas nacionais e internacionais; e publica bimestralmente na revista Philipéia.

Nº de pág.: 453

ISBN: 978-65-87340-79-1

DOI: 10.22350/9786587340791

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