Reflexões sobre a Universidade do Mate: análise da distribuição de cor/raça dos docentes e discentes de pósgraduação da UFPR

Ana Crhistina Vanali

A escrita da Professora Dra. Ana Vanali, intitulada Reflexões sobre a Universidade do Mate: análise da distribuição de cor/raça dos docentes e discentes de Pós-Graduação da UFPR, é uma contribuição sem precedentes para o campo de estudo das relações étnico-raciais, ações afirmativas e ensino superior. Uma obra que revela, nos números, um conjunto de possibilidades analíticas acerca do hiato entre diferentes grupos étnico-raciais na Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). É, igualmente, um convite precioso para compreendermos e reivindicarmos outros lugares para a produção do conhecimento nos Programas de Pós-Graduação a partir de outros sujeitos, forjados e marcados por um complexo sistema epistêmico e ocidental, que transforma o fazer ciência em privilégio de alguns e algumas. Cabe, inspirada pela leitura, o questionamento acerca da forma como a produção científica se constitui em um privilégio de determinados grupos raciais, uma vez que “[...] a ciência é uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos” (ALVES, 1981, p. 9). São múltiplos/as aqueles/as que cotidianamente duvidam, perguntam, questionam e produzem respostas a partir de sua condição humana. Intervêm e inventam sobre uma realidade social, material e cultural; exercem uma atitude investigativa de como sobreviver em um contexto cujo corpo é socialmente construído como sinônimo de desvantagem. O afunilamento das oportunidades educacionais para negros/as é revelado nesta investigação, que se propõe, portanto, a apresentar o retrato da distribuição por raça/cor dos docentes ativos e discentes inscritos nos programas de Pós-Graduação strictu sensu da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Recupera-se, para tanto, a historicidade do processo de fundação da UFPR, que reafirma um projeto de exclusividade de acesso, desde a sua gênese, resguardada à elite econômica paranaense, do início do século XX, extrativista da erva-mate, razão pela qual a instituição também ficou conhecida como Universidade do Mate.

Georgina Helena Lima Nunes

ISBN: 978-85-5696-666-7

Nº de pág.: 195

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