Primeiro como farsa, depois como tragédia: a construção da imagem do MBL em contraposição à alteridade

Júlia Frank de Moura

Sem muito medo de errar, podemos afirmar que os estudos de grupos e subgrupos juvenis costumam dar atenção para os traços de transformação social que eles carregam, com suas concepções vanguardistas e o inconformismo que os move. Quando ligados a alguma dinâmica com conotação de organização política, esses traços são acentuados por perspectivas que, de um modo ou de outro, projetam esforços de emancipação por meio da rebeldia. O estudo que o leitor tem agora em mãos não difere desse encaminhamento, mas com um detalhe que muda completamente seu traçado, tendo em vista que o grupo de jovens em escopo se calca em proposições políticas que mesclam o vanguardismo e rebeldia juvenis com uma perspectiva de mundo francamente reacionária. Entender o motivo que levou a esse amálgama e suas principais estratégias de comunicação não é um propósito simples, muito menos agradável, mas é a tarefa a que Júlia Frank de Moura se entregou com paixão e verve crítica notáveis. O Movimento Brasil Livre (MBL), grupo de jovens que atua como organização política, é uma peça central no desastre político e social em que o país se meteu (ou foi metido?) desde meados do primeiro mandato do governo Dilma Rousseff. A ebulição social que se desdobrou desde 2013 ainda se coloca como um nó que tem levado importantes pesquisadores das Ciências Sociais a debaterem sobre seus diversos aspectos. Sem ignorar as divergências sobre a natureza e resultados dos protestos que sacudiram o país naquele ano, Júlia se dedica a observar atentamente um ator político que ganha destaque desde então. Mesmo não sendo consenso, é possível indicar que o bate-cabeça entre as diversas forças constituídas, à esquerda e à direita, no cenário nacional diante da avassaladora onda de protestos abriu sendas para a ascensão de um tipo de organização política que, propalando ideias que, se não eram novas no Brasil, buscavam atingir ainda mais corações e mentes juvenis que, com esforço e obstinação, passariam a ocupar espaços de decisão e poder.

 

Manoel Dourado Bastos

Professor Adjunto da Universidade Estadual de Londrina

Nº de pág.: 116

ISBN: 978-65-5917-071-5

DOI: 10.22350/9786559170715

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