Paul Klee, Angelus Novus. Nanquim, giz pastel e aquarela sobre papel, 1920.

Direito e/ao desenvolvimento: ensaios transdisciplinares
 

Fernando Danner; Leno Francisco Danner; Marcus Vinícius Xavier de Oliveira (Orgs.)

Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.

Walter Benjamim

Teses sobre o conceito de história, tese 9.

ISBN: 978-85-5696-029-0

Nº de pág.: 365

© 2019 por LUCAS MARGONI & WIX ENGINE.

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