“Ensaio sobre a cegueira”: Reflexões acerca de processos formativos na área de ensino e o lugar da escola

Giselle Rôças; Marcus Vinicius Pereira; Maria Cristina do Amaral Moreira; Maylta Brandão dos Anjos

A arte de escrever um texto se assemelha a de construir uma casa ou a de produzir um filme. [...] É preciso edificar, e isso dá trabalho e leva tempo: da escolha do terreno e conhecimento de suas propriedades como solo, incidência de luz etc., à elaboração do projeto executivo, construção da fundação e toda a estrutura que dá sustentação à casa, à alimentação hidráulica e elétrica e o escoamento de esgoto, à opção (ou não) pelas divisórias dos ambientes, até o acabamento final e a decoração e paisagismo. Assim também se dá a escrita de um texto, quando ideias são selecionadas, nos permitindo imaginar, e um projeto é elaborado para, depois, edificarmos com todo o trabalho que demanda o ato de escrever. [...] É justamente a falta de amarras para a liberdade de criação que marca este livro que apresentamos a comunidade interessada em ensino – “Ensaio sobre a Cegueira”: reflexões acerca de processos formativos na área de ensino e o lugar da escola. [...] Nessa metáfora, o livro é o filme-sequência, as cenas são os capítulos e os planos são os parágrafos, ou mesmo as frases, que criam o argumento das cenas-capítulos, que vão de encontro ao que chamamos de “TecnoCinismo”, salvacionista da qualidade da educação pública brasileira. Advogamos pela autonomia institucional (escola/academia) e profissional (pesquisador/professor), e defendemos o papel da academia / programas de pós-graduação primeiro como espaço de diálogo (interno e externo) e formação de recursos humanos antes da catapulta que visa alavancar publicações em busca do “status de pesquisador”. Como docentes atuantes em cursos de mestrado e doutorado profissional em ensino de ciências, formadores de professores e que, portanto, também nos formamos, entendemos que o principal produto de um programa de pós-graduação profissional é o profissional, e não a materialidade do produto ou do processo em si. Nessa linha, é preciso valorizar a memória, as narrativas. Esperamos que façam uma boa leitura e que possam refletir e conversar conosco. 

Nº de pág.: 279

ISBN: 978-65-5917-002-9

DOI: 10.22350/9786559170029

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