Apresentação Resumida

 

Os Estudos Africanos constituem um campo interdisciplinar de produção de conhecimento sobre a África. Compete a SÉRIE NOVOS ESTUDOS AFRICANOS publicar textos sobre a África e suas Diásporas, organizando-os numa lógica disciplinar, multidisciplinar ou interdisciplinar ou até transdisciplinar. Recomenda-se o envio de textos oriundos de Ciências Humanas, Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas.

 

Diretores da série:

 

Prof. Dr. Bas´Ilele Malomalo (UNILAB)

Prof. Dr. Mbuyi Kabunda Badi (FCA/UAM - Espanha)

 

Comitê Editorial Científico:

 

Prof. Dr. Acácio Almeida Santos (UFABC)

Prof. Dr. Alfa Oumar Diallo (UFGD)

Prof. Dr. Aghi Bahi (UFHB-Costa de Marfim)

Prof. Dr. Dagoberto José Fonseca (UNESP)

Profa. Dra. Denise Dias Barros (USP)

Profa. Dra. Fábia Barbosa Ribeiro (UNILAB)

Prof. Dr. Manual Jauará (UNIFal-MG)

Profa. Dra. Márcia Esteves de Calazans (UCPEL)

Maria Aparecida de Oliveira Lopes (UFSBA)

Prof. Dr. Franck Ribard (UFC)

Profa. Dra. Julie Sarah Lourau Alves da Silva (UCSAL)

Prof. Dr. Germain Ngoie Tshibambe (UNILU-RDCongo)

Prof. Dr. Henrique Cunha Junior (UFC)

Prof. Dr. Hippolyte Brice Sogbossi (UFS)

Profa. Dra. Lorena Souza (UFMT)

Prof. Dr. Kalwangy Kya Kapintango-a Samba (UNEMAT-Brasil)

Prof. Dr. Mbuyi Kabunda (FCA/UAM -Espanha)

Profa. Dra. Maffia Marta Mercedes (UNLP-Argentina)

Prof. Dr. Maguemati Wagbou (UNC-Colombia)

Prof. Dr. Pedro Acosta-Leyva (UNILAB)

Prof. Dr. Salloma Jovino Salomão (FSA)

Prof. Dr. Sérgio Luís Souza (UNIR)

Volumes lançados:

Apresentação Completa

 

Os Estudos Africanos constituem um campo interdisciplinar de produção de conhecimento sobre a África. Nascido como um discurso exógeno sobre a África, marcado pelo eurocentrismo e racismo, com a crítica africana, que emergiu das Ciências Humanas, especialmente das disciplinas de Filosofia e História, ele se viu renovado no contexto dos anos de 1950 até 1980. A concretização dessa crítica foi a publicação dos oito volumes da História Geral da África (HGA) pela UNESCO. Essa obra sinaliza alguns dos princípios da produção do conhecimento na África e sobre a África: a interdisciplinaridade (HOUNTONDJI, 2008; KI-ZERBO, 2010) e a vontade política e epistemológica de não desvincular os Estudos da história e das sociedades da África com os de suas Diásporas.

Os anos oitenta destacam-se pela entrada no campo acadêmico africano e africanista de uma nova geração de intelectuais africanos que vem questionando as tomadas de posições políticas e epistemológicas da geração anterior (APPIAH, 1997; MUDIMBE, 1996; MBEMBE, 2001). Outro marco interessante deste período, e que continua até hoje, é a renovação e consolidação dos Estudos Africanos nos seus espaços tradicionais de produção, a Europa e os Estados Unidos, e a sua expansão para a África e no meio da Diáspora afro-brasileira (HOUNTONDJI, 2008; PEREIRA, 2006; SLENES, 2009). É exatamente esse novo contexto de produção de conhecimento, tendo a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira como espaço paradigmático que nos motiva a falar de Novos Estudos Africanos.

É preciso reconhecer que a África não é um tema recente dos interesses dos cientistas sociais brasileiros. O africanismo, entendido como formas pseudocientíficas de se estudar esse continente (OBENGA, 2001) existe no Brasil desde os períodos da escravidão. Ninas Rodrigues, Silvio Romeiro, Gilberto Freyre, José Honório, cada um de seu modo, reconheceu a importância de se estudar a África para se entender a identidade nacional brasileira.

No meio da população negra brasileira, a África também, foi tema de aproximações cientificas ou artísticas. Não somente os espaços como candomblé, congadas, artistas como Luís Gama, Mestre Didi, Mestre Bimba, Solano Trindade, mas também intelectuais como Guerreiro Ramos, Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez, Antônio Aparecido da Silva, e outros, tentaram se aproximar para conhecer e divulgar a África, reproduzi-la através de seus saberes particulares antes da implementação da Lei no 10.639/2003, que institui a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas públicas e privadas do país (BRASIL, 2004a; 2004b). Aliás, é sabido entre nós que coube a geração dos Movimentos Negros de 1930 e 1970 a reinvindicação de implementação pelo Estado brasileiro de uma matéria escolar que contemplasse os saberes, conhecimentos e valores produzidos pelos africanos e seus descendentes.

A publicação da Lei no 10.639, em 2003, suscitou alguns impactos na sociedade brasileira. O Governo tem trabalhado junto com a sociedade civil, os organicismos internacionais, especialmente a UNESCO, e algumas instituições do ensino superior públicas para a sua efetivação e é o que vem consolidado direta ou indiretamente os Novos Estudos Africanos desde 2003 no país. Em 2010, o Ministério da Educação e a Representação da UNESCO no Brasil lançaram a versão português dos 8 volumes de História Geral de África. Além disso, implementaram o “Programa Brasil-África: História cruzadas” que visa “promover o reconhecimento da importância da interseção da história africana com a brasileira para transformar as relações entre os diversos grupos raciais que convivem no país” (DEFOURNY; HADDAD, 2010).

Como a Diáspora Negra tinha ocupado um espaço menor nos volumes anteriores, o nono volume da HGA, que está sendo elaborado, dedicar-se-á inteiramente a esse tema. Deve se dizer, de passagem, que é o Governo brasileiro que está financiando os custos desse nono volume. Existe ainda uma demanda temática nos Estudos da história da África: visibilizar as lutas de mulheres africanas e da Diáspora. No momento, a UNESCO já elaborou um site pedagógico que está cuidando disso. Talvez, mais tarde, venha a publicar um volume dedicada as mulheres africanas e seus descendentes presentes nas Diásporas. Esses novos olhares é nos levam a argumentar de que estamos a passar por um período que se possa denominar de Novos Estudos Africanos.

Nesse sentido é que compete a SÉRIE NOVOS ESTUDOS AFRICANOS publicar textos sobre a África e suas Diásporas, organizando-os numa lógica disciplinar, multidisciplinar ou interdisciplinar ou até transdisciplinar.

 

Entre em contato caso tenha interesse em publicar um trabalho, um capítulo do livro ou organização de um livro coletivo, nessa série.

Parcerias

 

  • Grupo de Pesquisa África-Brasil: Produção de Conhecimento, Sociedade Civil, Desenvolvimento e Cidadania Global/UNILAB-Brasil

 

  • Centro de Estudos das Culturas e Línguas Africanas e da Diáspora Negra (CLADIN)/UNESP-Brasil

 

  • Observatorio sobre la Realidade Social del África Subsahariana/GEA/UAM-Espanha

 

 

Referências:

 

APPIAH, Kwame Anthony. Na Casa de Meu Pai. A África na filosofia da cultura. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: MEC/SEPPIR, 2004a.

 

______. Lei No 10.639/2003. In: Diretrizes curriculares nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: MEC/SEPPIR, 2004b.

 

______. MEC; SEPPIR. Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, 2009. Disponível em: <hht://portal.MEC.gov.br/>. Acessado em 10 fev. 2010.

 

CRUZ e SILVA, Teresa, COELHO, João Borges; SOUTO, Amélia Neves. Como Fazer Ciências Sociais e Humanas em África: Questões Epistemológicas, Metodológicas, Teóricas e Políticas; (Textos do Colóquio em Homenagem a Aquino de Bragança). Dakar, CODESRIA, 2012. http://www.codesria.org/spip.php?article1611&lang=en

 

DEFOURNY, Vinvent; HADDAD, Fernando. Apresentação. In: KI-ZERBO, Joseph (Ed.). História Geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. 2 ed. Revisada. Brasília: UNESCO, 2010, pp. VII-VIII.

 

EUSTÁQUI, Vitor. Desafios epistemológicos em Estudos Africanos: Da colonialidade do poder às epistemologias descoloniais. Paper submetido em Março de 2011 e aprovado em Junho de 2011 pela comissão científica do curso de doutoramento em Estudos Africanos do ISCTE-IUL, Lisboa. Disponível em: file:///C:/Users/Basilele/Downloads/EA_DesafiosEpistemologicos-libre.pdf

 

FERREIRA, Roquinaldo. A institucionalização dos Estudos Africanos nos Estados Unidos: advento, consolidação e transformações. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 30, nº 59, p. 73-90 – 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbh/v30n59/v30n59a05.pdf

 

KI-ZERBO, Joseph. Os métodos interdisciplinares utilizados nesta obra. In: ______ (Ed.). História Geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. 2 ed. Revisada. Brasília: UNESCO, 2010, pp. 383-399.

 

HOUNTONDJI, Paulin J. Conhecimento de África, conhecimento de africanos. Revista Crítica de Ciências Sociais, 80, Março 2008: 149-160. file:///C:/Users/Basilele/Downloads/RCCS80-007-Hountondji-149-160%20(4).pdf

 

MBEMBE, Achille. As formas Africanas de Auto-Inscrição. Estudos Afro-Asiáticos, Ano 23, n. 1, 2001, pp. 179-209.

 

MONGA, Célestin. Niilismo e negritude. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

 

MUNDIMBE, V. Y.  The Invention of África. Gnosis,Philosophy and the order of knowledge. Bloomington and Indianapolis: IndianaUniversity Press/ London: James Curry, 1996.

 

PEREIRA, José Maria Nunes. África: um novo olhar. Rio de Janeiro: CEAP, 2006, pp. 88.

 

SLENES, Robert W.. A Importância da África para as Ciências Humana. Texto apresentado no seminário “Respostas ao racismo: produção acadêmica e compromisso político em tempos de ações afirmativas” realizado em 3 de dezembro de 2009 no IFCH/UNICAMP. Disponível em: http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/rhs/article/viewFile/314/270. Acessado em 24 março 2014.

 

OBENGA, Théophile. Les sens de la lutte contre l´africanismo eurocentrista. Paris : Khepera/L´Harmatthan, Paris, 2001.

© 2019 por LUCAS MARGONI & WIX ENGINE.

Todos os livros publicados pela editora Fi

estão sob os direitos da Creative Commons 4.0